sexta-feira, 23 de abril de 2010

NAS ENTRANHAS DO FLAMENGO

O Flamengo está passando, talvez, pela maior crise política de sua história (pós Edmundo Santos Silva). E os protagonistas desse momento são muitos. As culpas se dividem, os méritos também, mas o enredo baseia-se no paternalismo e no amadorismo.

No começo de 2010, o hexacampeão brasileiro já começou a moldar a crise. Era o momento de reajuste salarial pós-título e todo mundo queria "cobrar" a sua parcela de mérito pela conquista ganhando aumento de salário. Até então conduzindo competentemente a vice-presidência de futebol,  Marcos Braz foi mantido no cargo pela nova presidente. Mas não tardou para ter suas primeiras rusgas no clube.

Alguns jogadores foram procurados pelo clube espontaneamente e tiveram revisão em seus contratos, enquanto outros não. Isso mexeu com os egos de parte do grupo. Angelim, demorou quase dois meses para acertar sua renovação por perceber que seu aumento não era compatível com o de outros jogadores. Pet, que tinha procurado o clube no final de 2009, irritou-se com os sucessivos adiamentos por parte de Braz e "revidou" se atrasando para a pré-temporada do time. Em seguida foi a vez de Andrade, que ficou incomodado com a forma como Marcos Braz conduziu sua renovação. O ex-dirigente apresentou uma proposta ao ex-treinador, que não gostou e pediu mais. Braz foi "muito taxativo" e disse que "aquela era a proposta do Flamengo e esperava que Andrade aceitasse". Obviamente, Andrade, que pegou o time numa situação ruim e levou ao título, se incomodou com a forma como foi tratado pelo vice-presidente e expôs, sem entrar em detalhes, sua insatisfação para a imprensa.

A imprensa, claro, repercutiu. Começava, então, uma guerra diante das câmeras (enquanto Adriano já começava a faltar treinos sem avisar e dar desculpas). Com o orgulho ferido pela exposição do caso, Marcos Braz começou a indicar que Andrade estava pedindo demais para quem estava começando e que o Flamengo não poderia se descapitalizar por conta dele. Andrade rebateu dizendo que o valor oferecido pelo Flamengo estava muito abaixo do mercado e que não contratariam ninguém com o tal valor. A tréplica do cartola foi expor para todos que o valor pedido por Andrade era o mesmo de técnicos consagrados e contou que a oferta do clube era R$ 200 mil, valor superior,  por exemplo, ao que o Joel ganha no Botafogo hoje (R$ 180 mil). A confusão só acabou quando Patrícia Amorim conversou com Andrade.

Acontece que o caso Pet continuou em aberto. Irritado, o gringo começou a dar declarações debochadas, criticando o jeito como o clube tocava as coisas. Mais uma vez Marcos Braz não evitou o confronto e começou a rebater o sérvio para a mídia. Rapidamente o vice-presidente foi contido mais uma vez pela presidente.

O Carioca começou e o Flamengo tentava se encontrar (após a ressaca do Brasileirão), mas não apresentava um futebol muito bom. Andrade tentou manter a base do time campeão brasileiro, mas Pet, que não fez toda a pré-temporada, e a zaga iam muito mal. Angelim foi barrado e Pet começou a ser substituído constantemente por Vinícius Pacheco. A bomba estourou pela primeira vez no Fla X Flu. O gringo, que estava mal, foi tirado de campo no intervalo e se revoltou. Resolveu deixar o estádio e ir embora. Membros da comissão técnica tentaram contê-lo, lembrando do exame antidoping, mas não conseguiram. Marcos Braz ficou sabendo do que estava ocorrendo e foi tentar falar com o jogador, que o ignorou e deixou o estádio. O dirigente, desrespeitado em sua autoridade, ficou furioso, com toda razão. Mas perdeu toda ela, quando virou-se para um jornalista, ao final da partida e afirmou, sem esfriar a cabeça que "Petkovic não joga mais pelo Flamengo".

Ora, o Pet é ídolo e mesmo jogando mal, tinha o apoio, a simpatia e a gratidão da torcida. Acabou sendo mantido tanto por Andrade quanto por Patrícia e, mais uma vez, Braz não conseguiu fazer exatamente o que queria, mas já começava a irritar Patrícia.

Passou o tempo e surgiu o tal baile da Chatuba. Adriano teve um barraco com sua ex-mulher e a imprensa caiu em cima. A associação de favela, confusão e baile funk fez a imaginação da rapaziada das redações viajar. Começaram a surgir notícias, fofocas e "provas" sei lá de onde, numa verdadeira campanha para deflagar as "verdades sobre o Imperador". Até o papo de drogas foi levantado, sem provas. Surgiram ameaças de um programa no Fantástico, com vários jornalistas afirmando via twitter que "se sair o que me contaram, a casa cai". Como se sabe, toda essa pressão não pode ser suportada por ninguém e o time começou a claudicar ainda mais. Nesse meio tempo, Petkovic foi afastado do grupo, que parecia não contar mais com o gringo. Voltando ao assunto Adriano, o atacante faltou novamente a alguns treinos, deixou de participar de alguns jogos e começou a dar ainda mais motivos pras fofocas sobre problemas com alcool e falta de profissionalismo. O Flamengo, como instituição, estava exposto demais, como alguém abaixado e com a bunda de fora.

Ai vieram resultados ruins na Libertadores e a derrota pro Botafogo, tradicional freguês, na semifinal do primeiro turno, que sacudiram ainda mais as estruturas rubro-negras. Se o elenco já não tinha paz das portas da Gávea pra fora, começou a se complicar internamente. Sem poder dar as "euricadas" diante das câmeras, Braz partiu pra guerra fria: sacaneava Petkovic nos bastidores, queimando seu filme. Acabou que o gringo fisgou a isca, e perdeu a admiração e o apoio do grupo quando foi para a imprensa dar uma exclusiva criticando tudo e todos. Braz deixou, então, nas mãos de Andrade a responsa, nada agradável, de barrar o ídolo pedido pela torcida. Acontece que tecnicamente, Pet ainda era (é) útil e Tromba não exitou em mantê-lo entre os relacionados, ainda que no banco de reservas.

Uma briga no vestiário entre Bruno e o gringo, selaria de vez o racha e promoveria toda a revolução acontecida hoje. Braz se afastou e Patrícia Amorim acabou colocando a responsabilidade de resolver o embroglio, que merecia medidas punitivas da diretoria, nas mãos do treinador. Andrade não tinha nada a ver com a situação e tampouco tinha o perfil adequado para resolvê-la. Acabou fazendo o que faria em seus tempos de jogador e pediu aos atletas que conversassem, esperando uma camaradagem. Mas os jogadores chegaram até Andrade e disseram que não queriam mais Petkovic ali. Andrade negou, manteve o gringo e, às vésperas do jogo contra o Caracas, conversou com o amigo Zico, pedindo-o que ajudasse na questão.

Zico pintou no Ninho do Urubu e, usando de sua influência, intercedeu por Andrade e conversou com os jogadores, tentando apaziguar as coisas. Patrícia também ouviu algumas coisas do Rei. No jogo da noite, o Flamengo teve raça, mas um péssimo futebol, acabou se descuidando na defesa pra atacar e marcar os gols necessários (2) mas saiu com uma vitória por apenas 1 gol de diferença, obrigando os torcedores a uma torturante noite de espera e a expectativa por outros resultados.

Sabendo que já havia passado a hora de mudar (sim, ela demorou), Patrícia decidiu aproveitar a classificação e o fato de que o clima era péssimo entre Braz, Andrade, Pet e o grupo, e demitiu toda a cúpula do futebol, nitidamente para que sirvam de exemplo para aqueles que ficam, os jogadores. É claro que o Andrade foi sacrificado injustamente (seria de qualquer maneira, porque Braz já tinha convidado Roth), mas a minha análise é que a presidente foi obrigada a "cortar da própria carne" para mudar alguma coisa lá dentro.

Assim sendo, mesmo diante de tudo de ruim que possa estar acontecendo, de tudo o que estamos tendo que abrir mão, do momento para as demissões que não parece propício, é fundamental que os torcedores rubro-negros, nós, tenhamos em mente que é toda grande caminhada tem o seu primeiro passo.

E que venha a Era do profissionalismo! Antes tarde do que nunca!

Gil

OBS: Para complementar esse texto, convido vocês a passarem no site do Rica Perrone e lerem este post aqui! Debochado e profundo no ponto certo.

7 comentários:

José Flores disse...

Parabéns pelo post! Vamos torcer para que o Flamengo entrar de vez na era do profissionalismo. Meu receio é com o apoio político da Patrícia. Ela precisa de independencia. Mas, concordo com você. Ela tomou as decisões corretas, mesmo que tardiamente.
Abs.,

Cleanto S Rodrigues disse...

Como mostra no livro a Arte da Guerra, pegue o mais forte e corte a sua cabeça para servir de exemplo para os outros! Dito e Feito!

Vamos Flamengo!

Í.ta** disse...

excelente olhar crítico, gil!

parabéns pelo senso de observação.

vamos torcer para que as coisas mudem por lá. apesar de meu temor de que os caras entreguem a rapadura... mas aí eles que dancem e caiam fora da barca também.

grande abraço!

Caio de Almeida disse...

Que confusão, meu compadre! Eu já sabia que esse grupo de jogadores era da pá virada, mas daí a achar que eles fossem capazes de tamanho despautério, não. Espero que a Patrícia, que também é ex-atleta, saiba o que está fazendo e com quem está se metendo. E espero também que esta retaliação do grupo não chegue aos gramados no jogo decisivo. Senão, jogaremos fora tudo o que foi conquistado até agora.

Sorte para nós e SRN.

Helder Rodrigues Bino disse...

Patricia Amorim agiu corretamente e tinha que ser desta maneira...Marcos Braz era apenas um todo-poderoso falastrão, mentiroso e ignorante nas suas atitudes com os subordinados: Andrade não é treinador, nunca foi treinador e jamais será treinador em qualquer clube de ponta do futebol brasileiro...a conquista do Brasileiro foi apenas um aborto-da-história deste moço como treinador...poderá até trabalhar lá fora, no futebol daqueles malucos da Arábia Saudita...E só...esse Manhães, apenas fazia parte da curriola do Irmão-Metralha 171...nossa presidenta deverá(e tem que fazer) novas mudanças...já ouví que os próximos da barca serão Bruno, Adriano, Vágner Love, David e Álvaro...não entendí o porque da saida do David...dos outros concordo plenamente e totalmente em gênero, número e grau...e que seria contratado o Carlos Alberto, irmão do Fernando...esta também não entendí...não vejo este moço com cara de Flamengo...o goleiro é o pior de todos(mau-caráter, prepotente, frangueiro e desagregador, além ser violento contra mulheres e contra seus colegas de clube)...gostaria muito que o Flamengo pudesse contratar um bom goleiro e mandasse esse goleiro PÔRRA-LOCA prá casa da QUENGA que o pariu...imagino que Joel Santana será contratado como novo treinador, mas a minha preferência recai sobre Wanderley Luxemburgo ou mesmo o Muricy...se houver boicote ou corpo-mole nos jogos contra o Corinthians, basta cortar o pescoço dos bandidos que agirem desta forma e que o Flamengo procure contratar novos jogadores... a medida da Patricia Amorim foi corretíssima e não pode haver mais a volta da bagunça e da esculhambação(o tudo pode no Flamengo)...Leonardo, como gestor do futebol seria maravilhoso...tomara que isto possa acontecer...agora é agir de forma séria e fazer um Flamengo melhor prá todos nós da melhor NAÇÃO DO MUNDO...Parabéns, Patricia Amorim...FLAMENGO, SEMPRE.....Helder...Goiânia.

Jean disse...

Fala Gil!
Acredito que a decisão da Patrícia foi a mais acertada. Ela teve pulso e está indo contra muita gente que já estava se acomodando. Inclusive dentro de campo.
Ouvi algo a respeito de três dispensas: Bruno, Alvaro e Adriano. Até concordo com as três. Precisamos de profissionalismo. E mais, se o Love não se enquadrar, vai acabar rodando tb. A atitude dele não foi nada legal, ironizando a entrevista da Presidente.
Sobre Braz, já foi tarde. Sobre Andrade, ele andou vacilando muito.
Claro que Leonardo é o cara! Ele pode ajudar e muito! Tomara que haja um acerto para ele ser o dirigente remunerado, responsável por gerir o futebol. E técnico? Bom, aí... Por hora, Rogério Lourenço, mas precisamos de um técnico que tenha a mesma ideologia da direção do Clube. Mas quem? Vamos aguardar os próximos capítulos. Abs, Jean.

Anônimo disse...

vcs vao levar fumo no cu do timão seus mulambos hahahahah, é corintians seus otarios!!!!