quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

CONTINUEM ACREDITANDO...

O texto de hoje do URUBUZADA não vai falar absolutamente nada sobre futebol, nem sobre Flamengo. Tampouco abordará o tema Natal, como muitos poderiam esperar nesta época do ano. Na realidade, o último post de 2009 abordará aspectos como esperança, gratidão e ideais, coisas que andam meio em falta nos dias de hoje.

Esta mensagem é livremente inspirada na crônica "Acreditando", escrito por minha saudosa amiga e ex-professora Vera Marques, com quem tive o prazer de compartilhar alguns anos da minha vida enquanto estudava (e, posteriormente, quando lecionava) na Escola Superior de Propaganda e Marketing do Rio de Janeiro.


Espero que gostem e que continuem acreditando em vocês e em seus sonhos.

 Quando eu tinha cinco anos:

- Acreditava que havia monstros presos dentro do armário e no buraco da luz, mas que, ao acendê-la, eu os faria desaparecer imediatamente;
- Acreditava que se comesse espinafre, cresceria forte como o Popeye, jamais ficaria doente e nunca iria morrer;
- Acreditava que se ficasse vesgo na frente do ventilador, ficaria assim para sempre;
- Acredita que homem de respeito tinha que usar bigode, como meu pai e meu avô;
- Acreditava que aos quinze anos eu seria um galã, pegaria todas as menininhas e encontraria a mulher dos meus sonhos;
- Acreditava que, quando tivesse vinte anos, eu viveria num mundo igual ao dos Jetsons, cheio de discos voadores, robôs, carros voadores e casas suspensas;
- Acreditava que aos vinte e cinco anos eu já teria viajado para várias partes do mundo;
- Acreditava que aos trinta e um anos, eu seria um cara feliz e saudável, com meus filhos criados;
- Acreditava que os melhores momentos da vida só aconteceriam quando eu fosse um adulto e pudesse fazer o que eu quisesse.

Quando eu tinha quinze anos:

- Acreditava que nós, os jovens, mudaríamos o mundo, e que o século XXI seria de paz, amor e harmonia entre os homens;
- Acreditava que se comesse só comida natural me manteria saudável, evitaria doenças e morreria aos 100 anos;
- Acreditava que todo mundo me respeitaria pelo que eu era, mesmo usando cabelo grande, jogando RPG e tendo um monte de espinhas na cara;
- Acreditava que aos cinco anos eu era uma criança tola, ingênua e que só acreditava em ilusões;
- Acreditava que aos vinte anos eu seria um profissional promissor e teria meu próprio apartamento;
- Acreditava que aos vinte e cinco anos eu seria um profissional conhecido, premiado e estaria ganhando um salário próximo de dois dígitos;
- Acreditava que aos trinta e um anos eu seria rico e estaria me preparando para ter a minha própria empresa e viajar o mundo todo;
- Acreditava que os melhores momentos da minha vida ainda estavam por vir;

Quando eu tinha vinte anos:

- Acreditava que no dia em que a esquerda chegasse ao poder no Brasil, todos os problemas diminuiriam e seríamos um grande país;
- Acreditava que um corte de cabelo, uma limpeza de pele e um pouco de malhação me fariam ficar irresistível e pegar geral;
- Acreditava que só me respeitariam se eu fosse sério e estivesse de camisa e calça social;
- Acreditava que aos cinco anos eu era uma criança ingênua e sonhadora demais, e que iria ser realista com meus filhos para que eles não cometessem os mesmos erros;
- Acreditava que quando tinha quinze anos eu era um nerd otário que acreditava num monte de besteiras fora da realidade;
- Acreditava que quando tivesse vinte e cinco anos eu estaria morando no meu próprio apartamento, com a mulher da minha vida e, aí sim, poderia ser feliz para sempre e fazer o que eu quisesse o tempo todo;
- Acreditava que aos trinta e um anos eu seria o diretor de criação ricaço de uma multinacional e que, após montar minha agência, eu me aposentaria pra conhecer o mundo todo;
- Acreditava que os melhores momentos da minha vida estavam apenas começando a acontecer;

Quando eu tinha vinte e cinco anos:

- Acreditava que, no dia em que o PT eliminasse todas as alianças que fez para se eleger, todos os problemas do país poderiam começar a se resolver;
- Acreditava que não adiantava mais fazer dieta, nem malhar, afinal, um dia eu iria morrer mesmo, então o negócio era meter o pé na jaca;
- Acreditava que só me respeitariam se eu me vestisse como um cara mais jovem e descolado, pois os sérios ninguém respeitava;
- Acreditava que aos cinco anos eu era uma criança muito inteligente e acima da média, mas que os meus filhos seriam mais;
- Acreditava que aos quinze anos eu era uma moleque ingênuo e sonhador, e que eu não deixaria que meus filhos tivessem as mesmas desilusões;
- Acreditava que aos vinte anos eu era um perfeito idiota, que acreditava que poderia ficar rico trabalhando em propaganda;
- Acreditava que aquele apartamento em Niterói emprestado pela minha sogra estava longe de ser o que eu sonhava;
- Acreditava que aos trinta e um anos ninguém mais iria acreditar nas minhas capacidades profissionais, então, eu tinha que mostrar meu valor agora!;
- Acreditava que os melhores momentos da minha vida já haviam passado e eu tinha que correr atrás para recuperá-los.

Hoje, aos trinta e um anos:

- Acredito que nenhum governo, ideologia ou milagre poderá salvar o mundo ou o Brasil, se cada um de nós não fizer a sua parte, por menor que seja. Nem que seja acender a luz e abrir o armário, para assustar os monstros que se escondem por lá;
- Acredito que boa alimentação e exercícios ajudam a evitar doenças, mas não podem evitar a morte. Ela vai acabar ganhando a disputa contra você. Mas o negócio é a gente dificultar ao máximo o trabalho dela;
- Acredito que uma boa maneira de me respeitar é me vestir do jeito que me vier à cabeça, respeitando as minhas vontades, e deixar que os outros pensem o que quiserem!;
- Acredito que aos cinco anos eu era uma criança sensacional e vou adorar que meus filhos e netos acreditem em tudo aquilo que eu acreditava;
- Acredito que aos quinze anos eu era um cara bonito, inteligente e cheio de ideais, e isso, de certa forma, me ajudou a mudar alguma coisa no mundo. Que porcaria seria o mundo sem a alegria e o idealismo dos jovens de quinze anos!;
- Acredito que aos vinte anos eu era estressado, arrogante e focado demais em fazer sucesso. Contudo, se não fosse toda a minha dedicação ao sonhar em ficar rico, hoje eu poderia estar pobre e desempregado;
- Acredito que se não tivesse arriscado tanto aos vinte e cinco anos, hoje eu poderia me sentir como uma cara chato, descrente e sem merecer o crédito e o respeito de todos aqueles que me cercam;
- Acredito que morar num dois quartos (próprio) em Jacarepaguá, junto à princesa da minha vida, já foi uma conquista e tanto, e que, com paciência, bom-humor e muito amor, qualquer um pode ser feliz pra sempre, DE VERDADE. Mas, nunca O TEMPO TODO;
- Acredito que está mais do que na hora de conhecer o Brasil todo. Porque o mundo, a Deus pertence;
- Acredito que aos trinta e um anos, muita gente me acha um puta talento e muitos outros, não. Mas, sinceramente, isso já não faz muita diferença sobre o que EU penso sobre mim mesmo;
- Acredito que muitos momentos bons da minha vida já passaram. Contudo, muitos melhores ainda virão e que um dia, aos sessenta anos, vou encontrar algum de vocês na rua e rir sobre esse texto e o que achamos de nós mesmos ao longo da vida;
- Acredito que neste dia em que nos encontrarmos na rua, estaremos vivendo num mundo melhor. Não em um mundo perfeito, de conto de fadas, mas um lugar bem menos violento e estressado. Graças a pessoas como eu, você, nossos filhos, netos e a quem mais se dispuser a continuar acreditando.

Feliz 2010 para todos,

Fábio Gil

8 comentários:

Luis Gustavo disse...

Parabéns brother, ótimo texto, emocionantes, feliz 2010, e até lá!!!

Luis Gustavo disse...

Parabéns brother, ótimo texto, emocionantes, feliz 2010, e até lá!!!

Luis Gustavo disse...

Parabéns brother, ótimo texto, emocionantes, feliz 2010, e até lá!!!

Anninha disse...

Muito bom mesmo, nos faz pensar sobre a vida. Bom natal e feliz ano novo para vc e sua família!

Caio de Almeida disse...

Muito bonito seu texto, Gil. Está fazendo a sua parte para tornar o mundo melhor, com certeza. Enviei para alguns amigos. Mesmo aqueles que não são rubro-negros, como nós.

SRN e um 2010 incrível!

Cris Marassi disse...

Gil, vc é um cara inteligentissimo, com um talento enorme pra escrever. Espero em 2010 continuar contando com textos tao maravilhosos como o de hj no seu blog.

Carolina Almeida disse...

Meninoooo! Chorei horroresss! Muito lindo e emocionante o seu texto ;)
Voltarei mais vezes ao blog.

Bjks milllll!

Almeidão disse...

Gostei muito do texto... vou acompanhar esse blog a partir de agora... rumo a Tóquio (nem é mais lá, mas vale a pena o lema)

Abraço!