quinta-feira, 4 de março de 2010

O FLAMENGO JOGOU O ARROZ


Quando alguém faz apenas o trivial ou o necessário para alcançar um objetivo específico, diz-se que aquela pessoa "fez apenas o arroz com feijão". Mas no jogo de ontem, o time do Flamengo não precisou nem disso pra superar o Madureira e voltar a liderar o grupo, com 6 pontos em 6 disputados.

Conforme eu venho afirmando há muito tempo e destaquei no último post, os jogadores titulares não têm qualquer motivação para competir em alto nível num torneio inútil e sem propósito como o Campeonato Carioca, afinal, não há nenhuma resistência por parte dos times pequenos e nem mesmo por parte dos médios, Vasco, Botafogo e Fluminense.

Se os defensores do Cariocão alardeiam que a competição deve sobreviver pela rivalidade e para demonstrar nossa superioridade sobre os demais, a conquista do pentatri, do hexacampeonato brasileiro e as frequentes classificações para a Libertadores (essa é a terceira em quatro anos), já deixam mais do que claro para todo mundo que o Flamengo é rei e o resto é uma plebe triste e sem expressão.



O problema é que o time em campo é o termômetro da torcida. Se o futebol apresentado for medíocre, desanimado, desinteressado como foi ontem, a torcida não vai apoiar (por isso os 5 mil presentes), vai se desiludir e cobrar ABSURDAMENTE quando o jogo valer alguma coisa. E quando a maior torcida do mundo resolve cobrar, gente boa, a parada fica sinistra!

O Andrade até já sacou isso e ontem, desde o começo da partida e também no intervalo, tentou dar uma injeção de ânimo naqueles que estavam em campo. O problema é exatamente esse: a galera que o Tromba escalou ontem não daria conta do recado nem que estivesse vibrando MUITO em campo. Até porque, o jeito do Toró, do Williams e do Fernando vibrarem, como volantes que são, é voltando para marcar com disposição, não dar espaço e ajudar na cobertura. Não dá pra esperar nada a mais do que isso vindo deles, até porque essa é a especialidade dos caras. Donde se conclui que o próprio Andrade está contribuindo pro time perder o viço, deixando o vermelho virar salmão e o preto virar cinza.

Se a competição não tem a menor graça e o time não tá dando a mínima pra ele, tira o Williams, horroroso na noite de ontem, e mete o Ramon. Tira o Fernando, que já não joga pelo Flamengo há um mês, e coloca o Pet. Bota o time naquele 4-2-4 disfarçado de 4-4-2 que estavamos jogando quando o Andrade começou. Porque mesmo que a gente leve um ou dois gols (como bem disse o amigo Ivan Pantaleão), vamos ter a chance de fazer 5 e sair com um 5X2 que anima a torcida e, consequentemente, motiva os jogadores pros próximos confrontos.

Eu até compreendo que parte dessa apatia tem a ver com os insucessos dos anos anteriores. Realmente os jogadores não querem "cair na pilha" do Cariocão pra não acabarem eliminados da Libertadores, que é o que realmente interessa. Então, vou repetir pela BILIONÉSIMA VEZ: porquê não entrar em campo REPLETO de reservas, como o Ramon, que vão dar o máximo pra entrarem em forma e vão acender o resto da equipe? Porquê não dar tempo pro Erick Flores voltar a jogar bola, pro Sabá ser testado como titular numa competição, pro Lomba pegar ritmo, pro Alvim mostrar que não veio à toa, pro Lenon voltar a praticar o futebol do Brasileirão e até pro Wellinton tentar provar pra todo mundo que não é um zagueiro grandalhão e estabanado, como parece toda vez que ele entra?

Botando essa galera em campo, Andrade e a torcida podem ter surpresas. E são essas surpresas, essas ousadias, que a gente tá sentindo muita falta. Porque esse futebol "correto e eficiente", já basta a outra seleção.

O Flamengo não pode ser só o arroz com feijão. Porque ele alimenta os sonhos de mais de 30 milhões de pessoas.

VAMO QUE VAMO, MENGÃO!

Gil

3 comentários:

Panta disse...

Antes de tudo, valeu pela citação, meu irmão de fé Flamenga!

Onde eu assino? Estou muito preocupado com o rumo que as coisas vêm tomando neste início de temporada, pois sinto que o Andrade, preocupado com a repercussão dos gols que nosso sistema defensivo vem sofrendo, está abrindo mão da nossa principal vocação e característica - partir pra cima e arrancar belas vitórias - em nome de uma segurança modorrenta e medíocre.

Quando, desde o primeiro momento, abracei a ideia do Tromba como treinador do Mengão, foi por ele, entre outras boas características que tem, ter feito parte do - e ter exercido importante papel no - fabuloso escrete dos anos 80. Aquele time tinha a real dimensão de sua força e importância, não tinha medo de exercer sua superioridade, e nem por isso menosprezava partidas menores. Sempre que havia oportunidades, partia decidido e fulminante para o ataque e, quando as oportunidades eram escassas, tratava de criá-las com constante movimentação e ânimo incansáveis.

Não havia partida menor, havia placar dilatado; não havia torneio menor, havia foco e vontade de vencer tudo que fosse possível! E havia, sobretudo, alegria e vontade de fazer história, sem irresponsabilidades por parte de ninguém.

Vejo o Andrade hoje cedendo à mesma tentação que teve quando, ao começar a engrenar no BR-09, pensou em montar um time mais defensivo para garantir o já havia sido conquistado. O que o impediu? A torcida, que, pressentindo o que poderia acontecer e querendo acabar com o jejum, demandou uma escalação mais ofensiva! Exaltou as qualidades de um 4-4-2 ou até mesmo um 4-3-3 e ele, sentindo-se apoiado, relaxou a preocupação com a responsabilidade de dirigir o Flamengo, abriu mão do covarde 3-5-2 (3-6-1) e ousou liberar o Zé Roberto para apoiar e participar ativamente das jogadas ofensivas.

Cabe à Magnética uma vez mais o papel de demonstrar apoio incondicional ao Tromba e, ao mesmo tempo, exigir um time ofensivo, um meio-campo criativo e o time jogando com a certeza de que, se sofrer um ou dois gols, fará quatro, cinco, seis, quantos forem possíveis e necessários para chegar às vitórias e os títulos.

Não basta dizermos que queremos ganhar tudo este ano; temos que montar um esquema e jogar para isso! Não será facil, mas quando alguma coisa foi fácil para o Flamengo?

Avante Mengão, sem medo de ser feliz!!

É isso.

Caio de Almeida disse...

Essa última frase do texto foi foda. O post poderia ter sido só isso!

AF STURT disse...

Bom eu concordo contigo.

Porém foi meio nesse estilo que ganhamos o hexa e eu perfiro ganhar de 1x0 do que 4x2.


Já está no ar a minha coluna para o blog flamnengo show,visite e comente:

http://flamengoshow.blogspot.com/2010/03/sobre-nosso-elenco-do-ano-de-2010.html